Depois de uma noite erudita que acabou com a auscultação de reagge através de Matisyahu
um beatboxer ortodoxo, de Amália Rodrigues, de Buika, de Estas Tonne e a sua viola mágica, de Birdy, The Black Mamba, de Milyes Cyrus, o Tigerman e Cee-lo Green , levantei-me esta manhãzinha cheiinho de vontadinha para ir andar de bicicleta. Pela primeira vez em 30 anos desejei que tivesse a chover (a ultima vez que desejei que chovesse tinha 9 anos e uns botins novos), mas não. Fui imediatamente buscar o telemóvel para ver se tinha alguma mensagem a cancelar o encontro, mas não. Lá tive que ir, ao ritmo de "riders on the storm" ter com os companheiros do pedal no local habitual a Nascente do sol poente.
Cada vez mais escrevo menos, e também não sei justificar o motivo. Se calhar não tenho muito para dizer, mas verdade seja dita que há sempre uma caralhada qualquer para contar, quanto mais não seja isso mesmo. E hoje o motivo que me moveu a bater teclas foi o respeito que tenho pelas Amaricanices.
Esta volta foi combinada porque tínhamos uma previsão de tempo que apenas previam chuva às 12h, e assim elaborámos um roteiro para estarmos em casa a essa hora. E não é que os marotos dos cabrões dos amaricanos acertaram em cheio? E digo os amaricanos porque o nosso site, do IPMA, não tem o detalhe de cada hora e verdade seja dita, tem uma taxa de acerto de 70% nas previsões, comparado com os 90% que eu observo através do Accuwheather.
Serve a propósito, para vos confessar mais uma inconfidência acerca dos amaricanos. Como sabem a minha alcunha quando tinha cerca de 10 anos de idade, era o Cavendish. Já se está a ver o porquê.. quem se picasse comigo num sprint levava a ratada. Hoje, mais uma vez foi demonstrado no nosso enormíssimo e loguissimo universo de bttistas (alguns nem sei os nomes) que não estou a mentir. Sabendo (com os meus 10 anos) dessa monstruosa capacidade pernomotora, os amaricanos enviaram drones que me observaram durante 5 dias úteis para confirmar os rumores que lhes chegaram. Entretanto ligaram-me para casa dos meus pais a perguntar se podiam combinar uma reunião comigo na NASA logo no dia seguinte. Claro que, como não conseguia justificar as faltas aos professores, disse imediatamente que não (isto tudo em inglês, muito bem falado, como quem me conhece, deve calcular). Responderam que conseguiam subornar os professores do 5º ano, com possibilidade de se estender até ao 12º ano caso o presidente Ronald Reagan fosse reeleito, como se veio a confirmar.
Como os portugueses são sempre os lixados, o RR (era assim que o tratava), quando eu estava no 10º ano ligou-me a pedir desculpa por não ter conseguido convencer o Bush, que entretanto decretou, não negociar com terroristas.
Adiante...lá fui ter com os amaricanos que me fizeram uma mão cheia de centenas de exames e testes (aliás os testes elaborados ao CR no programa que deu na tv foi o desenvolvimento do software que criaram naquela altura), tendo chegado à conclusão que a Força derivava dos gluteos. Pediram-me autorização para fazer um excerto para desenvolvimento, mas aí não deixei avançar. - "Hei, nobody messes in my glutes!!", disse eu. - O máximo que podem fazer é tirar um pelinho ou outro! ... olharam uns para os outros (eram mais de 20) e acenaram com a cabeça a dizer que podia ser.
Regressei para casa e pouco depois recebi um telefonema para me informarem que, derivado à proximidade do canal flatulento, o pêlo ficava contaminado pelo escatol e pelo metanotiol e como tal, a extracção de energia do pêlo ficaria mais reduzida. Como tal, pediram-me para fazer uma doação de dois pêlos por mês. E assim, todos os meses enviava pelos CTT um envelope endereçado à CHEMICAL ENGINEERING AND BIOTECHNOLOGY RESEARCH CENTER. Como era um assunto delicado e tendo um orçamento quase esgotado pelo testes e exames elaborados, os amaricanos propuseram-se a pagar metade do valor dos selos, mas encostei-os à parede e consegui convencê-los a pagar a sua totalidade, sob pena de fazer uma depilação definitiva a laser e queimar todos os pêlos retirados.
Mais recentemente, com o surgimento dos toalhetes e também com mais consciência da minha parte para o bem da humanidade, comecei a fazer uma alimentação mais equilibrada para reduzir a flatulência e a limpar-me com os dodots. Parecendo que não, com esses pequenos pormenores consegui reduzir a quantidade de pêlos (envio apenas 1 ) e consequentemente o custo de envio também reduziu, tendo com isso um beneficio económico que permite elaborar uma missão a Marte para o carregamento energético do robot que por lá navega.
Poderão estar a pensar o porquê de não ter feito uma parceria com alguns construtores automóveis para a pesquisa de uma energia mais limpa e duradoura (dizem que os meus descendentes têm 99% de probabilidades de terem o mesmo dom), mas na altura fiz um contrato de exclusividade e não posso quebra-lo, sob pena de pagar uma indemnização de 20.000 escudos.
Este assunto pode ter desenvolvimento, mas para já também não posso revelar todos os meus segredos... pelos menos num texto apenas... isto no mínimo, tenho material para 3 Temporadas.
JAS
domingo, 12 de janeiro de 2014
segunda-feira, 27 de maio de 2013
A volta dos animais
Costumam de me tratar por Zé ou Alexandre. Também há quem me
trate por José, ou Zé-i, ou Alex, por Xaninho, ou brother, ou mano, até por
palhaço e mais recentemente por besta (trepadeira é uma desculpa). De tanto
batismo já nem sei de que religião sou. E isto a propósito da volta de hoje (26/05/2013),
apelidada da volta dos animais.
Como o nosso extenso grupo está numa fase contraída, resumindo-se semanalmente a três elementos e desta como também o Africano foi uma vez
mais à terra ver os família, sobrou a besta e o cão de caça (digam lá se não é
tal e qual)- assim que vê uma lebre lá vai ele…e depois volta para trás para
mais uma voltinha, ladra sempre quando acha que a caça está para o lado
diferente ao que estamos a seguir e, este, não gosta de arêa.
E por muito que a besta se esforce, o cão de caça vai sempre
lá à frente a puxar e a olhar para trás para picar mais um pouco, mas sempre à
espera da sua companhia.
E numa descida, ao ver duas lebres distraídas, entusiasmou-se demais e decidiu brincar com elas rebolando no chão para chamar a atenção. As lebres não ligaram muito e ele lá se
levantou e seguiu caminho com uma esfoladelazita na pata, nada de especial.
Agora, queda, queda foi aquela que aqui a besta mandou a
semana passada. Essa é que foi uma queda que nem sei como é que ainda estou
aqui para a contar...bem o que vale é que a minha experiência de milhares
e milhares de segundos em cima de bicicleta evitou aquilo, que para um cidadão
comum, não estaria aqui para contar. A descer o single espetáculo do Cabeço
para Alverca, a roda da frente bate de lado numa pedra e ai jasus…. Pus uma
abaixo atrás, levantei a roda da frente ao mesmo tempo que mudava a mudança da
cremalheira… com um cheirinho de travão da roda dianteira, para quando esta
batesse no chão não ir com rotação a mais, um jogo de cintura para a
direita, sempre a pedalar e num espaço de 552 metros, estava mesmo quase a
safar, quando olho para a torre da igreja de Alverca e verifico que o meu
relógio está 2 minutos e 23 segundos atrasado. Tiro a mão direita do guiador
para puxar o picolete que acerta as horas e de repente um mosquito poisa na
minha perna esquerda pronto a ferrar-me.
Tive que tirar também a mão esquerda para dar uma chapada na perna
esquerda, quando os óculos começam a embaciar e aí é que vi que não tinha hipótese,
pois por toda a experiência que um bttista tenha e por muitos que sejam os
conhecimentos de sobrevivência e de gravitação, andar com os óculos embaciados
é a mesma coisa que pedalar com os tomates molhados…
Felizmente todas as feridas provocadas com essa queda do
camandro sararam e não tenho nenhumas fotos do estado calamitoso em que ficaram
as minhas pernas e braços de tanto sangue que perdi (perto de 2 garrafões), mas
fica o aviso e o alerta, que se tiverem numa aflição parecida, não liguem aos
relógios dos outros, pois por vezes o nosso é que está certo.
JAS
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Um conto na Via Algarviana
Mesmo passados 16 dias do término da aventura, ainda nem sei
muito bem o tipo de relato a descrever: duas ou três linhas com muitas fotos,
com meia dúzia de larachas por lá metidas, ou um texto formal a descrever o
dia-a-dia das jornadas, com o itinerário todo espamparado, pronto para ser
publicado numa revista on-line? Gostava que o publicassem, mas aí não posso
dizer caralhadas algumas imbecilidades, e no fundo deixaria de ser eu a
contar a minha história.
E como ainda estou com um melão do caralho enorme ( FODA-SE!!!!!
BOLAS, perder no ultimo minuto num golo marcado por um primo do africano que
não joga um peido muito bem, é FUDIDO MUITO ABORRECIDO), já não
me apetece escrever mais nada.
Vou postar umas fotos e que se FODA VOU VER A
NOVELA!!
Bom, agora que já estou a acabar o 2º cálice de medronho e
já estou mais calmo, vou tentar escrever algo sobre a Via Algarviana. Mas,
primeiro é melhor redimir os palavrões para puder ser editável, porque ainda
tenho alguma esperança de ver um relato meu numa revista. Tal como a esperança
de ver o Paços de Ferreira a tirar pontos ao FCP. Olha o que é que eu devia me
lembrar!! Foda-se, tou mesmo todo queimadinho, c´um caralho!!! Vou beber mas é
um submarino para ver se isto passa.
Vira-se o Africano para mim:
- ó Zé!! Tive a falar
com a dama sobre a eventualidade da minha ausencialidade durante os 4 dia nos
feriado para dar uns volta desbicicreta. Quer vir? - ( eu como lido com ele há
muito tempo, percebi logo o que ele quis dizer.)
- Então e vamos aonde?
- Sei lá! Eu quero é sair de casa e andar desbicicreta! Podi
ser Aveiro, ou …
- Olha, vou perguntar ao Nés o que recomenda. - disse eu.
Depois do guru das voltas ter recomendado a via algarviana, ou
eventualmente a ecovia do litoral, não apenas pela sua misticidade, mas também
pelas condições dos trajetos, que a Norte poderão estar intransitáveis, testemunhado
por ele numa tentativa de volta durante a Páscoa, falei com o africano que
rapidamente concordou:
- vias esgarviana? É isso memo! Vamo primeiramente preparar
mentalmente e fisicamente a nós, seguidamente de compreender o percurso para
oportunamente tratar de seguida dos logista, falar com todo os companheiro e
vamo!
Então, a primeira coisa a tratar seria a logística. Antes de
pensarmos muito e sequer de fazer perguntas já tínhamos todas as respostas!!! É
verdade, não estou a exagerar.
O “trata-me lá disso” já tinha tratado disso:
- Vão de carro até Alcoutim (ponto de partida), dormem na
pousada da juventude, de manhã partem para Cachopo, onde vão pernoitar numa
escola primária, na etapa seguinte ficam na casa do povo de São Bartolomeu de
Messines, no 3º dia vão almoçar em Silves, onde eu vou ter com vocês , vamos
dormir em Monchique, para no 4º dia fazer a loucura de chegar a Sagres, voltar
para Lagos por estrada para apanhar o comboio que nos leva até Castro Marim
para pegarmos nas bikes e irmos até ao carro. Não vai ser fácil, mas para fazer
o caminho em 4 dias, só pode ser assim!! – Atenção que reduzi bastante o texto,
porque na realidade apresentou os kms de cada etapa, o nome das pessoas com
quem iriamos contatar, o horário dos comboios…quem o conhece “(…)sabe de quem
estou a falar”.
E bem dito bem feito. Tirando a dormida na pousada de
juventude em Alcoutim, foi exatamente isso que fizemos. Optámos por arrancar no
25 de Abril às 5h30m de Lisboa, para às 11h00 começarmos a andar de bicicleta.
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| Km 0 - No cais de Alcoutim |
Como o primeiro dia eram 70kms, pensámos que às 18h, o mais tardar, estaríamos
em Cachopo.
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| A paisagem predominante |
Chegados a Casas Baixas lá estava a dona Otília à nossa
espera, que também aguardava os outros 5+2. Se fosse combinado não tinha
corrido tão bem, pois chegámos todos praticamente à mesma hora. Já estava a
anoitecer e a D. Otília propôs levar-nos na carrinha até à aldeia, pelo que
aceitámos, apesar de desvirtuarmos a volta sem essa ligação, mas isso poderia ser ultrapassado pois poderíamos
voltar para trás no dia seguinte, se pensássemos que esse facto iria pesar a
nossa consciência.
Felizmente fomos para uma casa que tinha tv e assim consegui
ir vendo o jogo enquanto o africano se aprontava.
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| A bela casa onde pernoitámos no 1º dia |
Aliás foi aí que desmistifiquei
o motivo do africano ser branco… pelo tempo que demora a tomar banho percebi
que na realidade ele nasceu mesmo preto, mas com tanta esfrega no banho, foi
perdendo cor.
Nestas povoações pensamos que vamos encontrar na ementa
aquelas maravilhas gastronómicas que dão bom nome à nossa cozinha, mas isso só
acontece quando reservamos com antecedência… e mesmo assim não é fácil. Chegadas
a horas tardias, não nos podemos esquecer que onde estamos não há muita/mais
oferta, temos que nos sujeitar ao que se consegue fazer. E nesse dia calhou-nos
umas costeletas de porcas grelhadas. Foi encher o bandulho até mais não, provar
o medronho do chefe e ir para a caminha.
Como nota durante esse percurso de 70kms, feitos num
feriado, passámos por cerca de 2 cafés, que estavam fechados. Para comermos
qualquer coisa à hora de almoço, tivemos que nos desviar cerca de 2kms.
Felizmente nas aldeias por onde passámos havia sempre um chafariz de água para
nos abastecer, situação regular em toda a Via Algarviana, exceto entre Silves e
Monchique.
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| São bastantes os Oceanos que atravessamos |
Na manhã seguinte e após o pequeno-almoço tomado no mesmo
café/restaurante e quando já estávamos a abordar ao caminho, mas ainda
indecisos se voltávamos ou não para trás, aparece a D. Otília na sua pick-up a
perguntar se queríamos que nos levasse ao local de chegada de ontem. Claro,
vamos nessa!! Ainda para mais, essa viagem foi feita em cima da caixa aberta
com uma mão a segurar a bike e outra a segurarmo-nos Na carrinha. Sentimo-nos
uns surfistas no asfalto, elevando a adrenalina nalgumas curvas e travagens. Espetáculo!!!
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| Durante a surfada asfáltica |
Acho que este segundo dia foi o mais longo dos quatro. E foi
aquele que senti sendo o mais produtivo, onde os kms foram todos na mesma direção,
ao contrário do primeiro dia onde se sente claramente que andamos a contornar locais.
Neste dia passámos por diferentes morfologias de terreno onde inclusivamente
atravessamos alguns singles, já que a Via é maioritariamente definida por
estradão.
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| Umas das muitas singles ?!- Estranho, então mas não são únicas? |
Depois de muito subir e descer, transpor e rolar lá chegámos ao
destino. Mas antes, mesmo um bocadinho antes, o Africano falou (é verdade só
agora falou):
- Quando chegarmos ao bartu-meu vamo procurar lugar para
lavar osbicicreta para besuntála com óleo solar que o africano não gosta de
frito, mas gosta de sol.
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| Africano quasi no lusco-fusco |
Bem dito, bem feito!, assim que saímos dos trilhos para entrarmos
na vila, desembucámos precisamente numa estação de lavagem manual, ou “ilifante
branco”, como lhe chama o africano.
Lavadas as bichezas, dirigimo-nos para a casa do povo e é
então que após a passagem numa montra, o africano volta a falar:
- hoje quero fuder galinha!!
- boa ideia. - respondi eu.
E fomos comer frango da guia em São Bartolomeu de Messines,
na Churrasqueira Fatinha. Lá estava também o grupo de 5 já a meio da refeição e
a ver o Estoril-Braga.
Mais uma vez, foi encher a mula até mais não, beber um
medronho, um não!! dois ou três, que este estava bom, e depois de uma pequena
caminhada, caminha que amanhã temos uma serra para subir.
E lá fomos para a jorna mais complicada delas todas. O início
da manhã foi rolante, em torno da barragem do Funcho, para no final começarmos
a subir e depois descer em direção a Silves, onde nos encontrávamos com o
ilustre Nés.
| Panoramica da serra |
E mais uma vez, e por incrível que pareça, chegámos todos ao mesmo
tempo! É Verdade!! Estávamos a perguntar onde eram os bombeiros e lá aparece um
gajo todo speedado a dizer uma merda qualquer tipo: EESSSPECTÁÁÁCULO!!!
Desta vez até tivemos direito a almoço, que nos anteriores
apenas degustámos bifanas e sandes. Carapau assado para o africano e sardinhas
para mim e pró Nés. Como o pêxe estava seco, tivemos que o ir regando com vinho
branco à pressão. Consumido os medronhos (sim, tinham acabado de chegar dois
tipos: com e sem eles….?!... – medronhos entenda-se) lá nos pusemos a
caminho….e que caminho. Assim de repente não me lembro de retas, apenas grandes
subidas e pequenas descidas.
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| Silves - Monchique já na companhia do Nés |
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| ainda houve tempo para gdes planos |
Literalmente tipo montanha russa, mas sem aquelas
merdas dos “g– force”.
Apesar de não gostar de dar concelhos, prefiro dar
distritos, esta é daquelas etapas que temos que ser “desportistas” e não gajos que
gostam de fazer desporto e beber uns copos. Porque durante mais de 20kms feitos
em constante sobe e desce e mais sobe do que desce ( no fundo passamos da cota 12 para a 766 nessa tarde) não passámos por nenhum
abastecimento de água, originando algum desconforto físico e essencialmente psicológico,
ao ponto de quando apanhámos alcatrão, termos mandado parar um carro com um
casal de turistas para lhes pedir água ( que nos facultaram gratuitamente –
Thanks, Bif Jonhny and Bif Walker!!).
Feito o serviço cívico (finalmente, escrevi qualquer coisa
de útil) admito que a chegada lá acima foi mesmo emotiva ao ponto de quase me
ter cagado todo, pois as cabras deixaram caganitas em todo o cruzamento
(pronto, tinha que sair merda depois de ter feito uma coisa boa – epá isto
faz-me lembrar a minha infância – um gajo sente-se elogiado e a seguir, numa
caganeira cerebral, faz merda da grossa).
Mas, é sem dúvida um local especial.
Não me perguntem porquê; - o que é que atravessar aqueles calhaus com a
bicicleta à mão, sujeito a dar um valente tralho, com vento frio comó catano
(para não escrever mais caralho) tem de especial? Não sei, mas que tem, isso
tem.
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| Ainda tentei de bicicleta, mas coiso... |
- Esta merda tem uma vista!... parece o kilimanjaro - diz o
africano.
- Já lá tiveste? – pergunto eu.
- Não!! tens problema?
Mas é um local marcante. Ainda houve quem dissesse para
encurtar caminho e que não valia a pena e não sei quê…claro que não vou dizer
que foi o Nés.
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| O santo pregador e o outro que não se identificou |
Bom, depois foi um descida quase a roçar o downhill, só
faltando as rampas (até acho que foi lá que vi uma ou duas, mas não tenho a
certeza), num single coberto de folhas.
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| A árvore já marcava as 8 da noite |
Chegados lá abaixo estava o Nés com uma
nova postura em cima da bike.
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| Não, não foi trabalho de Photoshop |
Ele com uma nova postura e eu com um caroço na
roda traseira. O pneu começava a ceder (Kenda Karma, nunca mais!!), a bolha
estava a ficar cada vez maior.
Chegámos perto das 20h, estava frio. Fomos para a pensão
destinada e como ao almoço foi pêxe, à noite fomos para a entremeada de
coentrada e mais uma vez, grelhada mista. O melhor medronho da volta estava
aqui, no Restaurante Jardim das Oliveiras.
No último dia, depois de subirmos ao ponto mais alto do
Allgarve, e já com o suporte de selim do Nés
bem fixo por sisal e elásticos ( e também o espigão que descia
involuntariamente ), foi maioritariamente um dia de descidas, algumas delas
esquisitas.
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| ...a admirar a paisagem... |
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| PUUUUUMMMM |
Foi também caracterizado pelo muito vento que dificultava um pouco
o andamento, mas foi essencialmente o dia do estoiro. O primeiro deu-se à entrada Bensafrim, com o
pneu a rebentar e a me deixar apeado. Felizmente estava ladeado pelo
desenrascado Nés que em 20 minutos resolveu a questão, aparecendo com um pneu
usado do melhor ciclista de Bensafrim, seu nome António.
Mas que granda vaca!!, durante tanto caminho inóspito, ter
acontecido aqui! No meio do azar ainda houve muita sorte.
Resolvida a questão e após um belo caldo verde e uma maravilhosa
bifana, no café Barbaro em Bensafrim, voltámos ao caminho em direção a Sagres.
Chegados a Vila do Bispo, tivemos que decidir. Ou voltamos
já para Lagos, com toda a tranquilidade e ainda dá para comer uns caracóis antes
de apanhar o comboio que partia às 19h20m, ou vamos até Sagres por estrada só
mesmo para fechar a volta, uma vez que já não havia tempo para fazer a Via
toda. Pelo simbolismo que tem uma aventura destas, achámos que deveríamos
fechar a volta e chegar ao destino.
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| Sagres à vista!! |
E assim fomos até Sagres, para depois
voltarmos pela mesma estrada até Vila do bispo, para de seguida embicarmos a
Lagos.
Lá chegámos com uma folga de 30minutos sensivelmente, fomos
buscar uma pizza hut, e às 22h08m saímos na estação de Castro Marim, que fica a
cerca de 5kms da vila, para depois seguirmos pela IC27 até Alcoutim, a cerca de
39kms, onde ocorreu o segundo estoiro. Apesar de ainda termos conseguido encontrar
um café aberto em Castro Marim, que nos reforçou com tostas, o Nés acabou por estoirar e fazer
grande parte do percurso numa luta contra ele mesmo ( e que acabou por conseguir
ganhar), que curiosamente também tinha muitas descidas esquisitas.
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| Perto das 1h30m a sair da IC27 |
Felizmente, chegámos cedo a casa, perto das 6h00 e o balanço
que podemos apurar é que eu perdi 1 kg e o Africano diz que não perdeu nem
ganhou. O Nés apenas ganhou experiência.
Muito obrigado Rui e Nés!!!
JAS
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Volta domingueira com upgrade de peso
À medida que vamos ganhando experiência de vida damos mais
valor aos ditados populares, aos avisos e conselhos dos mais velhos que nos
deram e claro não ligamos, à experiência de quem nos rodeia. E quando existe
alguém perto de nós pronto a ajudar quando solicitados temos que aproveitar e
dar graças (antes graças que dinheiro), por estarmos rodeados de bons
amigos e boa gente. E está lenga lenga vem a propósito da ajuda que o exmo
Ricardo Rosa me deu na conceção-execução do suporte de bagageiro que a algum
tempo o anseava fazer.
E após a sua montagem e afinação, hoje foi o dia de teste.
Uma voltinha na nossa serra, em condições de habitual btt, com uma carga extra
de cerca de 4kg. Para já é, e parece-me que vai continuar a ser, o melhor
sistema de transporte para bike de suspensão total, pois a carga assenta
diretamente na roda traseira não forçando o amortecedor a movimentos estranhos.
O meu maior receio, e isto acontece essencialmente na minha bicicleta por não
ter espaço em cima do aperto rápido, é o esforço lateral que o próprio eixo
está sujeito, podendo entortar e partir.
Em andamento sente-se exatamente a mesma coisa que uma bike
semi rígida, onde apenas percebemos um peso extra e a bicicleta com esse peso é
um único elemento. Quando usei o suporte de selim sentia-se imediatamente, sem
utilizar estradas de trilho, o baloiçar da suspensão traseira, originando um
maior desgaste e creio também movimentos comprometedores para a mesma.
Primeiro teste aprovadissímo, agora resta-me esperar que o
desempenho desta solução se mantenha e que não esteja daqui a 15 dias a dizer
cavalgadas desta merda do caralho.
Relativamente à volta de hoje, foi uma descoberta de 3
trilhos espectaculo na nossa serra. Logo e apenas por isso valeu bem a pena os
arranhões nas pernas do Carlos.
JAS
segunda-feira, 25 de março de 2013
Sintra 24mar2013
Enquanto uns
ficam em casa a coçar a cabeça entre outras coisas e outros vão visitar a família
a África, há quem vai praticando um pouco do desporto que une este grupo de
amigos, grupo esse bastante dinâmico, tão dinâmico que me faz lembrar o efeito
criado pelas rodas dos carros que em andamento e numa determinada velocidade
parece que estão paradas… tal não é o movimento.
E desta vez
como tínhamos a saudosa companhia do Nés, decidimos ir a Sintra, pois é um
local onde se consegue andar em trilhos e estradões nesta altura de chuva quase
diária e verdade seja dita, também temos que aproveitar a ausência do Rui e ir
para os locais prediletos onde pudemos fazer voltas espetaculares. E mais uma
que não falhou. Até parece que é sempre bom quando vamos para o mato. Já
parecemos os caçadores, que andam a manhã inteira e não disparam um único tiro,
mas é sempre bom. Mas, espera, eles têm o convívio do almoço ou do lanche, com
lebres assadas ou queijinhos e chouriço com tinto fresquinho…Alto lá, mas nós também
temos a paragem para o reforço com barritas de coiso, cubinhos de marmelada e
suminho com sais minerais ou uma bananita.
A volta desta
vez começou na subida da penha longa-Capuchos, fizemos os trilhos da praxe,
encontrámos uns amigos do Nés, da quadrilha de BTT estupendos4ever, subimos à
peninha, onde não nos queriam deixar passar por falhas de compreensão das
funções de um colaborador de um evento de plantação de árvores, distintamente
resolvido pelo nés, que mais à frente mandou um daqueles “distintos” em que até
a bicicleta lhe deu um beijinho na face. Nada de demais, foi apenas o
espalhafato, para quem viu, e pelo que me parece está tudo bem, pois se tecla
no pc e no telemóvel e ainda ouve Dream theatre, é porque não lhe dói nada, nem
a cabeça.
Depois,
voltámos aos capuchos derivámos para o castelo e decidimos ir explorar no
regresso ao carro, tendo escolhido um percurso que ninguém conhecia, onde
começou por uma daquelas poças, que nós tanto gostamos e acabou com dois rotebuleres
ou pitvaileres, já nem os sei distinguir, atrás de nós a esfregarem as patas e a
babarem-se da sorte que lhes tinha calhado, mas felizmente apareceram os
donos que deviam estar a fazer um filme porno. - “Porquê que eu digo
isso?”
- Já alguma vez viram uma mecânica de fato de macaco, com chaves de sextavada na mão, pintada,
bonita e boa com um VW de capot aberto? Um VW com o capot aberto é só para
meter água no depósito do limpa vidros…
Bom até casa
ainda deu para meter inveja aos caçadores e ir comprar umas queijadinhas de
Sintra. Felizmente ainda temos alguém a defender o bom nome do BTT e mostrarmos
que este desporto também é praticado por homens de barba rija como nós.
JAS
domingo, 20 de janeiro de 2013
Italiana no cabeço
Tal como todos nós que por cá andamos, as voltas também têm
as suas histórias. Umas mais dramáticas, outras mais entusiastas, outras iguais
a muitas outras, outras com uma história sem história. Esta volta foi uma
daquelas com uma história dos tomates, daquelas que me vai ficar para
a memória. E não o foi por o Rui ter gaguejado comó camandro, foi mesmo por uma
meia dúzia de minutos que me fez subir o
ego, que ultimamente tem andado lá em baixo.
Na subida da estrada Bucelas-Cabeço da Rosa, quando estávamos
a passar junto da entrada da construtora do Tâmega, começamos a ouvir um zumzum
a aproximar-se. Olhámos para trás e observámos uma italiana bem encorpada a
aproximar-se. Vinha de verde, bem equipada, em esforço, mas com uma expressão incólume,
como se nada estivesse a acontecer (e não estava, apenas sou eu a fazer um
granda filme), bem vistosa, digamos que daquelas que temos que desembolsar uns
2.000€ para dar umas voltinhas. Assim que sentimos a sua aproximação, digo ao Rui: “Embora, encosta à roda!!”. Aumento a cadência, para
conseguir entrar no cone, mas ela começou a demorar a aproximação. Espreitei no
canto do olho e confirmo que o seu ritmo estava abaixo da cadência que
apliquei. Percebendo que poderia disputar mais uma taça para o meu museu, comecei
a pensar que aquela aproximação repentina merecia uma picardia e assim foi.
Continuei com o ritmo aumentando-o progressivamente, enquanto a subida se
tornava cada vez mais íngreme Fui tentando manter o ritmo elevado, conseguindo
perceber que a distância entre eu e a italiana aumentava, estando esta cada vez
mais em esforço, a adivinhar pelas suas constantes mudanças de engrenagens que
ainda assim conseguia ouvir. Já com a topo da subida à vista, que quem anda
nestas andanças deduz que a meta é aí, depois de uma curva à direita e com a
inclinação a diminuir, senti uma ligeira aproximação tendo que, já num esforço
a roçar o desmaio, aumentar ainda mais o ritmo. Os últimos 50m pareciam 500,
nunca mais chegava ao fim e sentia que podia quebrar a qualquer momento, sendo
a pressão da italiana constante e numa aproximação progressiva. Já apenas
olhava para o alcatrão, não levantava a cabeça para não perder a concentração.
Mais um esforço e VITÓRIA!!!!, festejada efusivamente. Consegui!! A Italiana
pouco ou nada me ligou, sempre com uma fachada sem expressão, com um andamento
elegante e recto Nem um ciao, nem um bacamarte, nem um sinal. Esperei um pouco
pelo Afro sacavenense Lapierre que assistiu ao desafio ainda tentou encostar-se
à italiana, mas sem sucesso (acho que ainda rugiu nessa aproximação). Perguntei-lhe se tinha tirado uma foto (disse-me que se tinha esquecido de mudar
o rolo) e lá nos fizemos ao restante caminho, comigo todo contente e com os créditos
todos em alta.
Sempre por estrada até Sacavém, já pensava em como conseguir
contar esta história a quem não estava presente. E para terem ideia da
italiana, ainda fui procurar na net se ela era conhecida, pois para andar por
estas bandas, tem mesmo que o ser. Não foi difícil, apereceram várias imagens,
reconhecia-a de imediato: foto
italiana
JAS
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Volta dos pastéis, sem pastéis, mas com café e bica
Há dias em que ainda antes de acordarmos já sabemos que não
nos vai correr muito bem. E este domingo foi um desses tristes dias.
Comecei por acordar tarde, face à hora combinada, o que me
obrigou a vestir e a arranjar tudo à pressa para minimizar o atraso.
Nos arranjos da indumentária (por vezes parece que
vamos para fora de casa durante uma semana) visto primeiro o jersey e depois o
casaco, no fim as calças, mas as calças têm alças, logo tenho que tirar o
casaco, que desta vez por acaso foram dois, colocar as calças e voltar a vestir
os casacos; depois é o resto do equipamento – a corrente que tem que levar
óleo, mas a bike está no chão e ao rodar com o pedaleiro para trás a corrente
sai do sitio e encrava o desviador porque as mudanças estão cruzadas. Levanto a
roda de trás e volta a engrenar tudo novamente. Rodo mais um pouco com a
pedaleira para trás e enrola novamente. Claro que à segunda já penso um bocado
e descruzo a corrente metendo as mudanças de trás e da fte no meio. Depois começo
a calçar as luvas e percebo que me falta o capacete. Como as luvas são grossas
tenho que as tirar para encaixar o fecho do mesmo. Já estou a sair de casa
percebo que ainda me faltam os sapatos. Tiro as luvas novamente que voltara a
calçar, para tirar a chave do bolso do jersey, pois já tinha fechado a porta da
arrecadação. Tiro os óculos que já estão a embaciar, e coloco-os em cima do
selim, juntamente com as luvas. Calço-me, fecho a porta, pego nas luvas…e lá
vão os meus óculos de 830€, comprados no Lidl… capute, mesmo no meio da haste.
Lá tive que abrir novamente a porta para buscar outros que adquiri na mesma
loja duas semanas antes, mas de menor valor (410€), de lentes com muita
vitamina C.
Vá lá que, apesar de estar tudo à minha espera, apenas me atrasei 4m03s. Ninguém reclamou, menos mau.
Vá lá que, apesar de estar tudo à minha espera, apenas me atrasei 4m03s. Ninguém reclamou, menos mau.
Sensivelmente a meio da volta, na tão esperada paragem para o café, ou bica para
alguns, surge a segunda grande desilusão do dia...os pastéis de belém ainda não tinham chegado - o pasteleiro deve ter um
despertador igual ao meu, que só toca músicas de embalar.
Nessa altura devia ter ido embora, diretamente para casa,
mas não… continuei com o Carlos, o Rui e o João na voltinha em Monsanto, onde
descobri que dois desses afinal eram duas gajas (um diz direita, o outro diz
esquerda que por ali era melhor... em todas as bifurcações ou cruzamentos).
E o pior ainda estava para vir.
E o pior ainda estava para vir.
Começou a descer a avenida da Liberdade, onde momentaneamente
esqueci-me que afinal a minha bike tem 9 velocidades atrás e não 8, mas felizmente ainda fui conseguindo
equilibrar a picardia. Foi um mau perságio para o que me iria acontecer já ao
chegar a Sacavém.
Depois de um arranque em tons agressivos do gajo do costume,
tipo caniche quando está ao pé do dono, lá tive que levantar o rabo do selim e
acalmar o gajo, que sorrateiramente e já mesmo a chegar ao destino, quando
estava eu e o Carlos a conversar, nos apanhou e nos ultrapassou não havendo
espaço para a recuperação… é verdade, o afro-sacavenense Lapierre ganhou-me uma
picardia (se bem que no modo aciganado), mas que ganhou isso não posso negar.
Depois de tanto matutar, de fazer várias experiências, inclusivamente com a
minha bike e tb a do Carlos, deve ter descoberto o segredo que tanto tempo consegui
guardar, que agora vou divulgar… tirar um dente ao carreto de 11.
JAS
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