sábado, 6 de fevereiro de 2021

Venha de lá uma história

Ontem acordei com uma vontade imensa de dizer umas merdas e como não posso faze-lo no trabalho, venho aqui, neste blog habituado a esses conteúdos, satisfazer o meu desejo.

Claro que poderia perfeitamente abrir a janela do carro, enquanto atravesso a ponte Vasco da Gama em direção ao meu local de trabalho, e debitar uns impropérios à bicharada que habita no rio, mas depois penso que a malta da apanha da ameijoa não tem que levar com a minha má-criadice e com o meu mau feitio.

 

Apesar de durante a pandemia vigente não ter ficado em casa (ainda bem), tenho sentido falta de algum convívio que me permita soltar a minha angústia interior, provocada pelas tardes de sábado e de domingo, que nada faço porque não me apetece, e essencialmente porque o governo não me deixa fazer (adoro esta desculpa), além de ver séries e filme, acompanhados da minha garrafinha de 1,5l de água, mais um pacote de bolachas, uns tremoços, uns pistachos, uns quadradozinhos de chocolate, um geladinho, um pacote de batatas fritas, umas bolachas de água e sal, umas pipocas doces, uma maça ou outra peça de fruta metida no meio para não abusar das guloseimas e dos salgados, mais um iogurte e uns cereais, e quando fico mesmo cansado de me andar sempre a levantar, ora para comer, ora para mijar, um pão com manteiga para encher o bucho e ficar completamente cheio, de tal modo que até evito de arrotar, para a comida que está no estomago, há horas a tentar ser digerida, não sair em repuxo pela boca. Felizmente estou em casa durante a tarde, apenas ao fim de semana.

Admiro alguns que, nesta fase de confinamento, pegam na bicicleta e, esteja chuva, esteja sol, vão dar a sua voltinha ou maratona para manter e ganhar forma… ou outros que, como não andam à chuva, vão dar sangue. Sinceramente gostava de ser assim, apesar de desconfiar que esses gajos que vão dar sangue, apenas o fazem para trazerem um pacote de bolachas, uma vez que as filhas esconderam as que tinham lá em casa com medo que o pai as coma, ou até já me passou pela cabeça, com medo que o pai me convide para ir lá a casa.

“E porque é que em vez de estares a ver séries e filmes, e comeres aquelas porcarias todas, estás para aqui a escrever merdas sem jeito nenhum, a incomodares a nossa paciência e o nosso bem estar?” – perguntam vocês… ora aí está uma boa pergunta. É que isto de andarmos sozinhos, tem umas coincidências inexplicáveis e por incrível que pareça, encontramo-nos todos inúmeras vezes, ocasionalmente, durante a nossa volta individual de bicicleta. É verdade!!! E pelo que parece, são coincidências que não acontecem apenas às pessoas que envergam a tão bela e esfarrapada, e larga, e incolor camisola deste grupo de ciclistas. Agora até temos elementos que acontece isto duas vezes por semana, lá com uns amiguinhos que nem alcunhas sabem por uns aos outros… Isto das alcunhas, vem a propósito, do propósito de vir para aqui escrever umas merdas, uma vez que agora tenho uma nova alcunha. Deixei de ter a que tinha para passar a ter outra…

“Foda-se, mas estás para aí a empatar e dizer mais merda atrás de merda, e a quereres te armar em escritor misterioso (…)” (se fosse eu a dizer isto, invocava um nome de um escritor do género pouco conhecido, mas muito aclamado pela classe…, mas como quem está a dizer isto são vocês que não percebem nada de literatura, tenho que transcrever o que estão a pensar) “(…) e a demorares tempo comó caralho, para dizeres a tua nova alcunha!! Vais dizer ou não!? Olha que se demorares muito tempo, não leio o resto!!”

Bom, com essa ameaça (e depois sou eu que tenho mau feitio!!), a vontade que tenho é parar de escrever e ir para o sofá deitar-me e ligar a tv, mas como ainda estou a fazer a digestão do sushi com batatas fritas, vou continuar e fingir que não me interromperam o raciocínio… hum, onde é que eu estava?...

Já sei!! Portanto, eu tinha uma alcunha que alguém me colocou e depois alguém me colocou outra... isto depois de outros terem também ficado com novas alcunhas, nomeadamente o bidébuchas, o bidérrompe e o bidélentejano... e isto, numas dessas coincidências ocasionais de domingo, onde alguém, sinceramente nem me lembro de quem, mas desconfio, começou a fazer acrónimos (como se percebe, os nossos ajuntamentos são de uma vivaça e mordaz convivência cultural linguística, que já dá para perceber porque é somos tão poucos) e saiu disto.

E como me atribuíram o bidéstórias, tinha que vir para aqui escrever umas merdas para o outro me interromper o raciocínio, o outro mandar umas buchas nos comentários e para o alentejano dizer que não consegue abrir ou escrever na página.

Amplexos e ósculos!


JAS

quarta-feira, 24 de junho de 2020

EN2


Marco Km0 (está lá indicado, centro inferior), em Chaves


Uma vez de vez em quando, temos que nos armar em machos durante 2 ou três dias… ou se pretendermos ser machos, mas mesmos machos com os ditos no sitio, temos que sair de casa durante 4 ou 5 dias. E como já não sentíamos esse orgulho, profundamente másculo, há já 3 anos, sentimo-nos na obrigação interior, de nos desafiarmos a um projeto um tanto ou quanto parvo (para não dizer outra vez parvo), que se resume na travessia de bicicleta, de Norte a Sul do interior do nosso país, em 4 dias e meio, na tão aclamada e mítica EN2. Dizem, os pouco informados, que é a 3ª maior estrada do mundo, e assim mantenho essa descrição, para nos vangloriar ainda mais o feito herculano cumprido.

Este objetivo foi inúmeras vezes tema nas conversas domingueiras, durante alguns meses, intercalado com as conversas de indignação dos serviços da MEO e da NOS, que tanto debatemos semanalmente, e que fomos adiando, ora por falta de tempo de férias, ora por  coiso. E aproveitando a conjuntura mundial, que aconselha as pessoas ficarem em casa e evitarem ajuntamentos, lá decidimos que era a altura certa para o fazer… claro que não foi bem assim. No fundo só precisávamos de alguém com competência para organizar (não vou referir nomes).

Definida uma data que interessava e permitia a presença de todos, foi apenas necessário aquele click de alguém, que começou a tratar da logística… transporte, com apoio e dormidas. Era essa a grande incógnita, sobre a disponibilidade e reabertura das hospedagens, mas nada que um telefonema não resolvesse. E prontos, meios disponíveis, dormidas marcadas e pagas, já só faltava começar a pedalar.

Restava-nos aguardar ansiosamente que a data chegasse e preparamo-nos psicologicamente para aturar 4 gajos durante 5 dias…

Ainda houve algumas questões no ar… na carrinha cabem as 4 bicicletas, os 5 macacos e a bagagem?... e se chover, vamos? Qual o creme que põem no cu?

Chega o dia da abalada e abalámos… o motorista começou a recolher os passageiros, ajudado pelo pendura que desmontava e encaixava o puzzle na carrinha, o alguidar recebia a bagagem e com mais uma precinta e uma volta na fita, passadas 4 horas e meia, um quarto de garrafa de medronho, uns bolinhos caseiros feitos pelo je (já disse que não ia dizer nomes), já estávamos em Chaves à procura de restaurante para almoçar. Começou a parte mais interessante da viagem… as vaquinhas e os brindes. Nota: se o leitor não sabe o significado de vaquinha, não pergunte à esposa, sff (basta escrever nos comentários, que alguém do grupo traduz).

A montar o Puzzle

Sempre boa disposição

Já em Chaves, na vaquinha e nos brindes


Fotos da praxe no inicio da EN2, creme no cú, óleo nas bicicletas e iniciámos a epopeia até Vila Real.


Este primeiro trajecto, com cerca de 63kms, foi uma ligação primordial, uma vez que conseguimos aproveitar o dia para avançar no mapa sem grande prejuízo físico e permitiu reduzir os quilómetros das restantes etapas, já extensas o q.b. Tempo soalheiro, vento de frente, fica o registo para memória.

Prova de vida...algures entre Chaves e Vila Real


Chegados ao centro de Vila Real, instalámo-nos na pensão da pernoita e do repasto. Vai mais uma vaquinha, mais uns brindes aos golos do glorioso, outros aos do Portimonense e vamos dar uma voltinha a pé para desmoer. Vai um Gin tónico para ajudar ao convívio umas histórias de outras andanças e siga para a caminha, que amanhã é que vai doer.

Mais um brinde

Saída de Vila Real


Renovado o creme no cú, acrescentado óleo nas correntes das bicicletas, por volta das 9 horas já rolávamos. Por esses caminhos fora, começa a chover… aquela chuva molha parvos, fora de casa em tempo de quarentena, sabem? Essa mesmo.

Assalto em Peso da Régua


Passámos em locais espectaculares com paisagens lindas, pelo menos é o que dizem, porque na verdade não dava para ver quase nada, mas ainda assim, deu para ir curtindo o caminho, nas estradas serpentiadas e no atravessamento de rios e pontes, ou melhor pontes sobre rios, que esta estrada nos oferece. 

Ponte sem fim


O marco mais fotografado do trajecto


Pena o tempo não ter permitido a contemplação total dos locais por onde passámos, mas ainda assim deu para perceber a beleza natural desta zona do país. 

Lamego


Paragem em Viseu para almoçar uma bifana especial e comprar umas travessas para os sapatos e siga até Santa Comba Dão, onde pernoitámos e nos encontrámos finalmente com o carro de apoio, após uma incursão à Serra da Estrela para buscar gelo para colocar na geleira.

Viseu


Feitas as apresentações ao dono da casa alugada, localizada à entrada da cidade, fomos contemplados por um jantar digno de rei… acho que estou a exagerar um pouco, mas fica bem… feito pela pessoa que não posso dizer o nome. Mais umas jolas e uns brindes, deu-nos para ir passear um pouco, para tentar um cafezinho, cafezinho esse que evidenciou que afinal há um elemento do grupo que não só vê mal ao perto, mas também vê mal ao longe.

No repasto da casa
Ainda dizem que em Santa Comba Dão não há toureiros...

Após o descanso de 150kms, lá nos levantámos com a certeza que desta vez a chuva foi ali e já vem. Mais umas horas a levar com ela, lá tive que recorrer a um óleo desenvolvido por engenheiros da NASA, daqueles que é uma mistura de um óleo de corrente normal, com uma dosezinha de óleo de maquina de projecção de filmes americano e uma pitadinha de teflon, para calar o estalido dos pedais, que a água tanto gosta de evidenciar.

Douro


Este 3º dia, foi o mais duro, não apenas pela sua extensão e acumulado de subida, mas também pelo acumulado de subida e da sua extensão… 195kms, com 3.000m de acumulado de ascensão. Foi um dia que passou num ápice, mas muito vagaroso (ainda estou todo embaralhado), tal a variedade de locais por onde passámos e sem dúvida o mais abrangente em termos de dificuldade. 

Até parece um profissional

Almoçámos em Góis, numa pastelaria com os melhores croissants mistos do mundo, cantámos pela primeira vez os parabéns a uma pessoa que não posso dizer o nome, e passados 409kms, já estávamos em Abrantes.

Marco de Góis

Praia fluvial do Sinhel - Alvares

Melriça - Vila de Rei

Vista de Abrantes para Sul

Chegados a Abrantes e após alguma dificuldade em encontrar a casa, pois fica bem lá no cimo, junto da cruz da igreja (já depois do campanário), partimos de imediato para além de Tomar, onde nos encontrámos com os nossos companheiros de Fátima, ao abrigo do plano de confinamento da DGS que permite um ajuntamento de 10 pessoas, num espaço reservado e bem arejado, com comida e pinga boa e desde que um dos elementos seja aniversariante.

Malta de Fátima que nunca se nega ao convívio e boa disposição


Mais 48 quilómetros de regresso à estadia (de carro, convém mencionar, para não pensarem que me estou a esticar) e vamos dormir que já passa da 01:00.

A juzante da barragem da Aguieira

Naturalmente que no dia seguinte apenas começámos a pedalar às 10:00… e ainda para mais no dia menos interessante sob o ponto de vista de paisagens e tipo de estrada. Entrámos no Alentejo e como sabido, a seguir a uma reta (que não é plana) vem outra reta (que também não é plana). Foi um dia difícil psicologicamente falando, acentuado pela boémia da noite passada, mas como verdadeiros machões, lá fomos rolando com mais ou menos paragens (numa dessas ainda fomos gozados por alentejanos que nos confundiram com um rebanho), até ao destino – Torrão. Localidade originária do grande ciclista que não posso dizer o nome, atualmente com 84 anos, detentor de várias proezas individuais, como a viagem de Portugal Luxemburgo em bicicleta, 24 horas consecutivas a pedalar em rolo, entre outras… pelo menos assim o venderam. Nunca tinha ouvido falar nesta localidade, mas o certo é que não me vai sair da memória, não pelas façanhas do sr. Ciclista, mas pela melhor sopa de cação do mundo.

Tive o caminho todo a cortar o vento para os meus companheiros (como é normal!!)
Se eu aparecesse nesta foto, emoldurava-a em formato A0

Alcaçovas

Apenas faltam 183kms, depois dos 165kms percorridos no dia anterior.

E vamos lá levantar cedo que se faz tarde!!! Creme no cú, óleo da NASA na corrente da bicicleta e directos ao pequeno almoço na pastelaria que ainda não abriu… mas isto não abre às 8:00? Já são 8:17 e está fechada… “Deves pensar que estás na Lourinhã!!! (digo eu, cá para mim)”

Já prontinhos para começar a andar sem o pequeno almoço tomado, lá aparecem os funcionários, ou donos do estabelecimento… vá lá, ainda não é desta que passo fome no Alentejo. Ups!!, se o bidé alentejano lê isto, vou ter que o ouvir… "no Alentejo é que se come bem, é preciso é saber onde ir, e que o Alentejo é a melhor terra do mundo e arredores e …" já não lembro de mais, porque tive que desligar o aparelho auditivo, que estava quase a rebentar com o amplificador.

Lá vamos em direcção e Ferreira do Alentejo, Aljustrel (tirar umas fotos ao maquinista), Castro Verde (puxar as orelhas a uma ovelha), por onde almoçámos, sempre com um dia soalheiro a dar para o quentinho, mas felizmente perfeitamente tolerável. Nota para o estado da estrada nesse trajecto, nomeadamente Aljustrel- Castro Verde, que se encontra num estado perfeitamente deplorável.

O Maquinista
Ferreira do Alentejo

Há toureiros para todas as medidas

Estava cumprida a parte mais aborrecida do caminho, das planícies alentejanas, que de plano não têm nada, para entrarmos no interior algarvio, que tão boa memória me traz, de outra aventura com o bidé africano e do outro elemento que não posso dizer o nome.

Besta sobre besta!!

Este traçado, é para mim, o mais curtido pelas subidas e descidas, com as curvas desenhadas por engenheiros de estrada ingleses, com os “relevês” geometricamente calculados. Senti-me um verdadeiro piloto de pista, numa Famel zundapp xf17 com escape de 80. Muito Bom!!

Serra do Caldeirão

Faltando apenas 40kms para o destino, no topo da serra do caldeirão, estávamos mais tranquilos, porque, segundo um elemento, o qual não posso dizer o nome, era sempre a descer. 

Mais um brinde!!! A partir daqui é sempre a descer!!

E quase que acertava… tirando umas quantas subidas, que já pesavam no aspecto psicológico.

Foi-se impondo um ritmo mais acelerado, com a vontade de chegar ao destino, e derrepente… voilá!! Chegámos à mítica rotunda 738!!

 

ORAF ?? 837??

Missão cumprida, resta a viagem de regresso, não sem antes de montar o puzzle na carrinha e encontrar um sitio para o ultimo repasto. Na falta de ideias e depois de verificar que um restaurante de referencia em Faro se encontrava fechado, lá fomos ao Zé do Peixe assado, em Albufeira, por caminhos interiores, conforme indicação do telemóvel de ultima geração, de uma pessoa que eu não vou dizer o nome, comer umas sardinhas assadas, boas, mas piquenas, e um polvo à lagareiro à moda algarvia.


Feitas as contas, com mais uma voltinha ou engano, foram 750kms, 9.210m de acumulado de subida, em 30h:30m, e uma cagada no mato, repartidos em 4 dias e meio.

A estudar a flora alentejana

A carrinha, que sempre nos acompanhou, com exceção no 2º dia, onde fez uma pequena incursão à Serra da Estrela, foram cerca de 1.700kms, se a memória não me falha.

Resta o agradecimento aos envolvidos, nomeadamente ao Ricardo Rosa, pela disponibilidade, paciência, ajuda, explicação de funcionamento do som estereofónico e tudo o mais, e ao João Galvão, por toda a organização antes e durante o passeio, que tanto o caracteriza, sabendo todos nós, que nem vale a pena tentar ajudar que só vamos complicar. Aos restantes bidés, tal como eu, resta-nos aturar-nos uns aos outros e prontos a desafiarmos a um novo desafio.

JAS

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Existencialismo

Diz um:
- Então, já te fartaste?
- Humm?
- Já te fartaste de escrever?
- … de escrever o quê?
- No blog, caralho!!
- Ahhh… epá falta de tempo…. ou melhor de paciência ou vontade, porque a falta de tempo é uma desculpa fácil… e na realidade há sempre tempo para fazermos o que queremos. Mas, estás com saudades de ler os meus posts?
- Não!!!, só me apetecia responder com umas caralhadas.

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Escreve outro:
- Zé, continua e não penses em escrever bem, que assim é que tem piada!


FODA-SE, estes elogios dão-me uma moral tão … tão coiso, que só me apetece é mandar todos para o bilhar grande (não quero sobrecarregar este post com demasiadas asneiras, para não ferir os leitores mais sensíveis).

JAS

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A primeira de 20


A primeira do ano foi o regresso ao sítio onde fui (in)feliz. In porque foi onde rasguei o casaco e as calças… e também porque parti o capacete; feliz porque é uma estrada que gosto bastante de fazer. E neste regresso pude constatar que afinal, a empresa Estradas de Portugal é realmente eficaz no trabalho de tapamento de buracos na via pública, mas acima de tudo a maneira como o fazem, pois esse remendo está extremamente bem disfarçado, não se notando, de todo, a sua reparação… vá havia um buraquito mesmo ao lado do dito buracão, onde cabia um pneu, Inteiro, de um Caterpillar série 797F e que me fez cair há cerca de 1 mês e tal atrás.

A volta deste fim de semana ficou, para mim, marcada pela constatação da falta de civismo da minha pessoa na via rodoviária, ficando claro, que, afinal, vê-se mesmo que sou motociclista… não dou passagem nas passadeiras e quando os semáforos estão vermelhos, meto-me à frente do primeiro carro parado, impedindo o seu arranque imediato à abertura do semáforo. Não sei se fiquei triste ou se fiquei contente com esta constatação… por um lado fiquei contente por alguém ter o cuidado de olhar para mim como um sere protetor e me avisar das minhas negligencias; por outro fiquei triste porque fica bem ficar triste nestas situações de irresponsabilidade. Fica a promessa politica que não passarei mais semáforos vermelhos enquanto ando de bicicleta.

Mas, espera… se eu passar os semáforos vermelhos já não fico à frente dos carros que esperam a abertura do sinal... huuuuummmm. Acho que vou retificar o que disse atrás, de forma a não passar por mentiroso.

JAS

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

B12


Enquanto fazia uma comunicação intercontinental, estava a ler um estudo sobre nutrição ou dieta desportiva, tendo conteúdos bastante interessantes e pior do que isso desmistificações dececionantes. Mas, vamos por partes…

- “Então, mas tu agora andas sempre a ler estudos, com temas esquisitos e estúpidos pra caralho?” perguntam vossemecês. É verdade! Fartei-me dos jogos das cartas no telemóvel e como já não moro em casa dos meus pais, onde tinha a revista Maria para desfolhar, tenho que me entreter com qualquer coisa… afinal ainda demoro 32 minutos a cagar.

- “Claro, só podia sair merda… Então e que conteúdos interessantes tem esse estudo sobre nutrição ou dieta desportiva?”, perguntam vocês. Agora vou fazer uma pausa… calma, não é uma chamada intercontinental! Agora, vou dar uma voltinha de bicicleta, porque um bidé se lembrou que ainda tinha que ir comprar filhós e bolo rei para logo, e arranjou uma volta de bicicleta para as 11:30 !!!...

Uma voltinha de 2:30, dizia ele. Esqueceu-se de dizer que era uma voltinha para lá e outra para cá. Bom, mas está feita (e bem feita), com paragens de convívio e boa disposição e também com histórias dramáticas. 😾

Agora, já besuntado em perfume dos chineses (hoje é noite de natal, decidi não me besuntar em valvulina, por causa das velas) vou então contar aquilo que quero partilhar.

Nesse estudo, dizem os cientistas, que os desportistas de alto rendimento (como nós), e independentemente do tipo de alimentação que fazem, dieta vegan ou dieta de comida de origem animal, devem tomar suplementos de vitamina B12, responsável por a reposição de aminoácidos e outros componentes de beneficio muscular. Esta vitamina advém do solo, onde antigamente (antes da revolução industrial) se conseguia obter a quantidade suficiente apenas com a água ingerida, ou na comida de origem animal, mas que nos tempos modernos e com a utilização dos pesticidas e cloro na água, não existe naturalmente… São os malefícios da industrialização e da necessidade desenfreada do ser humano. Tenho dito.

-“Então, e a tua desmitificação dececionante?”, perguntam outra vez os chatos do caralho. Foda-se já lá vou… ainda estou um bocadinho chocado.

Bom, durante toda a minha vida ouvi expressões que os produtos com mais proteína são a carne de vaca, tendo também os ovos bastante proteína. Peixe não puxa carroça, dizem alguns. Pois bem, também não é o peixe, mas sim os vegetais… à pois é!! Dizem os cientistas que a dieta vegan é a mais benéfica para a saúde e traz mais rendimento desportivo e até sexual.

Estou em choque!! Agora além de ter que escrever frequentemente para ter a pila maior, também só posso comer verdices e merdas dessas.

Alguém sabe onde posso comprar a revista Maria, antes de ler um estudo que diz que fumar faz mal?

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

A "Recuperação"


Esta manhã, enquanto tomava o pequeno almoço, tive a ler um estudo bastante interessante, acerca da relação entre escrita e crescimento da pila, publicada por uma universidade dos Estados Unidos da América, UCLE, que, na opinião geral, é naturalmente credível, apenas e só pela sua origem (se fosse na Universidade Lusófona, diria imediatamente que era um devaneio de um gajo, sem qualquer fundamento). Um dos pontos que me chamou mais a atenção nesse estudo, é o facto de estar provado cientificamente que quem escreve com assiduidade, a sua pila tende a crescer cerca de 2,2cms por ano, ao passo quem não o faz, tende a diminuir o seu volume em cerca de 0,4cm3/ano. Contudo, o crescimento tem que ser contínuo, no mínimo 1 vez por mês, e a ausência da escrita não poderá passar os 32 dias. Fiquei imediatamente descansado, porque semanalmente faço uma lista de compras de mercearia e muito frequentemente envio uns e-mails de caracter profissional e inclusivamente vou enviando umas mensagens por telemóvel. Ora, o problema é que esse estudo indica que “a escrita” não abrange essas banalidades, tendo que ser uma história com conteúdo.

Deve-se perceber imediatamente, a minha preocupação desde então, por estar a escrever este texto. De facto, foi um dia bastante complicado, onde a ansiedade e o nervosismo reinaram, pois quero imediatamente recuperar aquilo que é meu, aquilo que perdi e que inconscientemente lutei para conquistar.

Fazendo uma análise, após o conhecimento desta relação, fiquei realmente com a sensação que em tempos, precisava de um verdadeiro “abraço” com as duas mãos para envolver a pila, e ultimamente já tenho que por os óculos para ver onde ela anda, mas pensei eu, que era uma coisa da idade… e como é um tema tabu, não quis perguntar aos colegas, amigos, camaradas se isso também se passava com eles. Se por um lado posso ficar descansado que não é um problema individual, por outro fico preocupado com quem nada publica... Mas, como diz o ditado, “Pimenta no cú dos outros é um refresco!”.

Bom, acho que esta partilha seria suficiente para a “Recuperação”, mas com medo que a pila não aprove este conteúdo, tenho que contar uma história.

Bem, no outro dia, mandei um esbardalhanço!!! Cúm catano, ó camandro. Estava eu e o Africano a jogar ao Andolita apenas com uma mão, a descer a EN 115-3, bem perto de Carnota, de repente, apanho um buraco dissimulado no asfalto da estrada e … Jazus… que já foste. Pim, Pan, Pum, lambi o relvado todo, parti o capacete, quase que ía partindo a mão, rasguei o casaco e as calças, mas o mais importante… não fiz um risco na bicicleta. Ufa, safei-me de boa.

 

JAS

 PS:… não se esqueçam… tem que ser uma história…e não vale a pena dizer que vocês não notaram nada, porque o estudo indica que é transversal a todos, e está provado cientificamente…, mais indica, que, embora sem provas, esta relação existe desde a pré-história, daí as pinturas rupestres.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O relato do Africano

Tarde (até aqui vez, podia ser Boa tarde, mas como não tenho tempo, então é só tarde),
 
era só para fazer um pequeno relato da volta super espetacular de hoje ao senhor José Alexandre Miguel Rafael Silva, mais conhecido pelo Jabas Mariquinhas. Porque ele gosta de saber e para saber que a gente foi (só para se sentir pior).
 
9:00 Sacavém, :30 mais tarde do que o combinado (desculpa lá outra vez Carlos), devido a uma imprevista Cagada de manhã (só foi bom porque fui mais leve) e à minha mais pequena, que hoje também queria ir pedalar com o Pai.
 
Traz traz traz, Loures, traz traz traz, Bucelas, Café em Bucelas.
Pimba pimba pimba, outra vez, pimba pimba pimba, porque a subida foi longa, Sobral de Monte Agraço. Hoje o senhor Carlos Watts Ultra Super Power Watts Carmelo estava mais fraco, ou era Eu que estava mais forte? Era Eu que estava forte como o Caral....
 
Sobral ! Àgua e bucha e vamos embora que vem lá chuva. Descer para a Arruda, só não foi mais depressa porque apanhamos uns Matrecos com bicicletas mais leves que as nossas e ocupavam a estrada toda (foi bom, um cheirinho à volta a Portugal).
 
Arruda ! Plano e a subir, Xau Matrecos, UIiii as pernas estão rijas porquê? Subir, subir, ai esqueci-me, traz traz traz, descer para Alhandra, pimba pimba pimba, não pus virgulas porque não fizemos pausas.
 
Alhandra ! O João não devia de estar em casa, então zuca, nacional, chuva nas trombas, mas pouca, aquelas terras todas, Póvoa, dois dedos de conversa, Xau Carlos, Xau Rui, ----------------Sacavém 12:30.
 
80Kms. Bom treino
 
Tenho que terminar e não completar ou verificar a pontuação, a minha Joana quer um Ogutu. Eu traduzo (Iogurte).
 
 
Rui World Champion UCI Dias

domingo, 8 de junho de 2014

Ic!!!

Há alturas onde só mesmo com uma garrafinha de Palácio da Brejoeira dá para escrever essencialmente depois de uma cachaporra de 106kms de onde saí de rastos. E como se deve estar a perceber pelo preambulo, daqui não vai sair coisa boa.
Mas, também não significa que sairá coisa má, antes pelo contrário.
O motivo desta intervenção, que vai fazendo falta ao blog, não é nenhuma… digamos que é mais um desabafo. A onça está no fim e o vinho também, e antes de começar a devastar o despenseiro só tenho a dizer uma coisa…. Amo a vida!!! Iiic
Podia acabar já aqui, aliás devia fazê-lo, mas antes disso vou me armar em polvo.
Vou ditar que o campeão do mundo deste ano será…… a equipa que vencer a final!
Não tenho dúvidas de quem serão os finalistas, mas só o direi depois das meias-finais disputadas. Entretanto, vou só ali buscar mais um copito que este já foi.
Peraí!!!
Vou agora abrir uma de São Domingos que afinal a outra já acabou.
Há uma coisa que não entendo…. Porque é que os meus amigalhaços me oferecem estas coisas? Palácio da Brejoeira, São Domingos, Porto Kopke, vinho tinto… será que dou assim tantas indicações que gosto destas coisas?
Esta questão leva-me a uma reflexão (já tinham saudades das minhas reflexões? – como tenho estado desempregado não tenho tido reflexões ) e essa grande incógnita é: Será que o facto de mandar todos para o caralho afasta as pessoas? Será que me levam a sério?
Ainda não tenho bem a certeza que ser sincero é aquilo que as pessoas gostam. Cá para mim as pessoas gostam de gajos bacanos, aqueles que só dizem aquilo que gostamos de ouvir!  Tipo frases de engate: - “ És linda! Nunca vi tamanha beleza em ninguém!”, mesmo perante a parte detrás de um esquentador.
Bom, se as mulheres acreditam, se calhar é mesmo assim que funciona a psicologia humana, porque elas são sempre mais evoluídas que os homens.
Esta reflexão que durou pouco mais que 5cl de São domingos, leva-me a outra:
Porque é que temos pêlos nas pernas? Será única e exclusivamente para concentrar pó nas pernas?
Não sei, mas ainda ontem vi o programa do grande Rogério Martins, no “isto é Matemática", onde predominava a pergunta: porquê é que os elefantes têm as orelhas tão grandes?… é para dissipar o calor corporal. Só me leva a concluir que os pêlos nas pernas servem precisamente para o inverso, ou seja para mantermos a nossa temperatura corporal. Conclusão: Ser verdadeiro e não rapar os pêlos das pernas, é uma incongruência!!!  Ou rapamos os pêlos das pernas ou mandamos todos para o caralho!!!
Eu por enquanto, mando todos para o caralho!!!


JAS

domingo, 23 de março de 2014

As nossas ambições

Hoje, enquanto me besuntava com valvulina no corpo depois da voltinha matinal, pus-me a reflectir (sim que isto de pensar é para o JJ e companhia – reflectir é mais filosófico… não! Não era sobre Pascal) sobre a evolução e retrocessos de ambições ou objectivos de um BTtista.
Se no início pensamos em fazer kms, e quantos mais fizermos melhor nos sentimos (isto em termos objectivos), passados uns tempos e com o melhorar da nossa forma física, começamos a pensar nos acumulados de ascensão, para de seguida entrarmos no campo da média horária. Agora, já se começa em falar em watts, mas por enquanto nem todos os dispositivos electrónicos dão essa informação… é uma questão de tempo.
Mas este processo não é exponencial nem constante, pois como desportistas domingueiros que somos, temos de uma forma geral, momentos onde falhamos um ou dois domingos e alturas onde o cansaço emocional está presente face à nossa semana de mais ou de menos trabalho, de mais paciência ou de falta dela para isto ou para aquilo que nos assola (como diz o grande filósofo César Nunes, “o que nos assola não são as coisas, mas a ideia que temos das coisas”), ou seja, fazemos grandes oscilações de forma, implicando desde logo com os nossos objectivos ou ambições.
 Se há três ou quatro semanas já estava a pensar na média horária, hoje desci à terra e estou na ambição de … deixa lá reflectir mais um pouco… de desfrutar. Pois é, desde o retorno ao mato (aconteceu a semana passada) entrei na fase do vamos lá dar uma voltinha porreira, fazer umas subidas e umas descidas espectaculares, e tentar chegar a casa sem moças. Mas, esta pequena ambição nem sempre é fácil de obter. Calma! Não fui eu que caí, nem tão pouco ninguém do nosso enormíssimo e gigantesco grupo. Podia ter sido… mas não foi. Nem eu, nem o Africano, nem o Carmelo… e desta vez também não foi o Nés. Mas qualquer um de nós já fez estas figuras, de tentar mostrar aos outros como se faz… ou sai lá da frente que eu digo-te como é que é.
E hoje enquanto descíamos as famosas lombas, num grupo que vinha atrás de nós houve um que tentou mostrar como é que se fazia e…esbardalhou-se todo, mesmo à minha frente. Calma, também não morreu nem partiu nada, felizmente. Aleijou-se um bocadinho, acho eu.
Se por um lado até me deu vontade de rir (por se ter armado em chico esperto – tentou-me passar numa zona cheia de calhaus), por outro fez-me pensar que já me aconteceu o mesmo e provavelmente poderá e irá acontecer mais vezes… é humano, está-nos no sangue. ”Macho que é macho não come mel, come as abelhas”, diz o grande filósofo Ricardo Rosa.

Conclusão da reflexão: Por grandes ou pequenas ambições que temos, não fugimos da nossa essência de latinos e mesmo quando definimos objectivos muito particulares e privados (“já estou numa fase de não ter que provar nada a ninguém”, pensamos nós) temos, por vezes, um momento onde acabamos por demonstrar a nossa fraqueza, quando no fundo queríamos mostrar o quanto somos “fortes”.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

115...com Óscares

Depois de 115kms puxado pelo CC, aqui estou eu fresquinho que nem uma alface para postar mais uma história de sofá.
Primeiro começo com uma sugestão… acrescentem uma ou duas folhas de louro no refogado na confeção das migas. Faz a diferença. Era para ter retificado na receita original, mas assim os que não leram, se calhar voltam atrás e dão uma vista de olhos, e os que a leram e não veem este post, vão achar que falta ali qualquer coisa às migas que agora vão perceber o que é.
Depois de 115kms puxado pelo CC, vi o Lobo de Wall Street. Não achei deslumbrante, talvez por estar habituado a grandes interpretações e grandes filmes do Leo. Mas, também porque a temática não é muito do meu agrado, pois se há coisa que não aprecio é gajos a brincarem com o dinheiro das pessoas como isso fosse apenas tratar-se apenas de dinheiro e esquecerem-se que, infelizmente, é esse dinheiro que define e delineia a vida das pessoas… e além do mais conseguem lucrar com isso como ninguém.
Alguns dias antes de andar 115kms puxado pelo CC vi e achei fascinante o filme “Her”. Como é possível um ser humano apaixonar-se por um sistema operativo? Será isso alguma vez possível? Gostava de saber que não… não pela situação contra-natura em si, mas porque leva-nos a uma sociedade completamente fechada e solitária, e os computadores assustadoramente inteligentes e expressivos. Não quero dizer mais nada do filme, mas vendo, percebemos que isso poderá ser possível… eu quase, quase tive caidinho pela Samantha… melhor banda original.
Muito antes de andar 115kms puxado pelo CC, vi o melhor filme de 2013… O clube de Dallas. Foda-se que filha de puta de interpretação… com caralho. Tema do catano, num inicio de uma nova era, e da qual me lembro perfeitamente de todos os medos e incógnitas. Melhor actor.
A Golpada Americana ou 12 anos escravo… grandes filmes. Para mim a Golpada fica à frente 115kms dos 12 anos. Sou como os putos que dizem que não gostam de azeitonas, mas nunca provaram, pois ainda não vi o Nebraska e o Philomena, mas não sei porquê… nã me cheira. Para já digo que a Golpada será o vencedor.
Ainda nem tinha pensado em andar 115kms puxado pelo CC, vi o capitão Philips… custa-me acreditar que tenha sido uma história verídica. Achei que os pretos, desculpem os africanos escuros tenham sido tão ingénuos. Gajo que atira para matar e não tem nada a perder, não cai em lenga-lengas. Mas, também foi bom ver porque assim quando passarmos numa situação do género em Marrocos, a quererem um resgate de 20 milhões pelo conta-quilómetros do Nés, sabemos como nos podemos safar… é preciso é alguém se lembrar do filme.
A Gravidade deverá ser eleito pelos efeitos especiais... porque a qualidade que vi era tão boa que parecia mesmo que a Sandra ainda tem 20 e tal anos.
Para já é tudo… para a semana há mais. Já sabem, bons filmes... na companhia do tradicional Bacalhau assado com Migas.

JAS

sábado, 25 de janeiro de 2014

Migas

Quando este grupo se formou, à cerca de 110 anos, mais cem menos cem, éramos tantos que haviam membros a quem eu não sabia o nome dos seus avós paternos. Entretanto o numero de associados foi descendo e hoje resumem-se a três ou quatro pagantes. A mesma situação se passou com a actividade neste blogue... o que escreve fá-lo cada vez menos e os que leiam e comentam, acompanham a linha descendente.
Como tudo o que digo (porque falo pouco) tem um propósito, quero com esta introdução dizer que pretendo revitalizar a vossa atenção para um blogue interactivo que vos consiga preencher o espírito e que vos faça pular da cadeira e comecem a dançar que nem índios a pedir chuva, uma vez que os meus últimos devaneios pouca receptividade criaram.
Assim, e fazendo uma acção social, no nível 5 (escala de referência 1 a 5 - soube disto quando cumpri serviço comunitário por ter esfaqueado um gajo que estava no café e que me chamou gay por usar calções de lycra) quero partilhar a minha experiência com as Migas.
Pois bem, uma das coisas mais importantes nas Migas são os ingredientes. Temos que escolher bem a broa e essencialmente o azeite. Claro que umas boas couves também fazem a diferença, mas a par do feijão, o que eu costumo de fazer é comprar as embalagens destes ingredientes já preparados.
Assim, os ingredientes necessários para a confeção das Migas são:
- 2 embalagens de caldo verde
- 1 embalagem de feijão de 500g (manteiga é o melhor)
- 1 broa
- 1 cabeça de alho
- 2 ou três folhas de louro
- azeite em boa quantidade.
- sal qb
Cozem-se as couves em cerca de 10minutos na água com um pouco de sal. Faz-se um refogado com os alhos cortados à rodelas, com o louro e juntam-se a broa desfeita (com aproveitamento da côdea) o feijão escorrido e finalmente as couves. Envolve-se tudo e voilá!!!
Não tenham dúvidas que vão fazer sucesso com estas Migas espectáculo.
Espero um dia destes ter respostas bastante positivas e inspiradoras, pois neste momento de angústia, qualquer inspiração é bem vinda, porque como sabem eu ainda tinha alguma esperança (apesar de não ter sido nomeado), mas a bola de ouro já foi entregue.

JAS

domingo, 19 de janeiro de 2014

Amaricanices - parte 2

Hoje apenas venho aqui ao sitio para parabanezir o CC pela nova aquisição da bike de estrada. E esta congratulação não vem em vão (linda frase). Estou feliz, não apenas por ele, mas também pelo facto de não termos que esperar tanto tempo no topo das subidas e também no ponto de encontro pela fresquinha... Grande Rui, finalmente podes nos acompanhar como os homens.
Sem me estender muito, quero apenas salientar, que os filhas das putas dos amaricanos, desta vez foderam-me, ó caralho, pois disseram que não chovia mais a partir das 7h e afinal choveu comó caralho, ora bolas!!! Se há coisa que detesto é andar com os colhões molhados, e esses cabrões foram os principais responsáveis por os meus colhões, e não só, estarem todos húmidos ao pontos dos pintelhos criarem orvalho durante este momento que estou a escrever esta merda.
Só por causa disso, este mês vou foder os amaricanos e não vou enviar a habitual encomenda.

Felizmente estou calmo e não ando práí a partir merdas, ó caralho!


Dassse

domingo, 12 de janeiro de 2014

Amaricanices

Depois de uma noite erudita que acabou com a auscultação de reagge através de Matisyahu
um beatboxer ortodoxo, de Amália Rodrigues, de Buika, de Estas Tonne e a sua viola mágica, de Birdy, The Black Mamba, de Milyes Cyrus, o Tigerman e Cee-lo Green , levantei-me esta manhãzinha cheiinho de vontadinha para ir andar de bicicleta. Pela primeira vez em 30 anos desejei que tivesse a chover (a ultima vez que desejei que chovesse tinha 9 anos e uns botins novos), mas não. Fui imediatamente buscar o telemóvel para ver se tinha alguma mensagem a cancelar o encontro, mas não. Lá tive que ir, ao ritmo de "riders on the storm" ter com os companheiros do pedal no local habitual a Nascente do sol poente.
Cada vez mais escrevo menos, e também não sei justificar o motivo. Se calhar não tenho muito para dizer, mas verdade seja dita que há sempre uma caralhada qualquer para contar, quanto mais não seja isso mesmo. E hoje o motivo que me moveu a bater teclas foi o respeito que tenho pelas Amaricanices.
Esta volta foi combinada porque tínhamos uma previsão de tempo que apenas previam chuva às 12h, e assim elaborámos um roteiro para estarmos em casa a essa hora. E não é que os marotos dos cabrões dos amaricanos acertaram em cheio? E digo os amaricanos porque o nosso site, do IPMA, não tem o detalhe de cada hora e verdade seja dita, tem uma taxa de acerto de 70% nas previsões, comparado com os 90% que eu observo através do Accuwheather.
Serve a propósito, para vos confessar mais uma inconfidência acerca dos amaricanos. Como sabem a minha alcunha quando tinha cerca de 10 anos de idade, era o Cavendish. Já se está a ver o porquê.. quem se picasse comigo num sprint levava a ratada. Hoje, mais uma vez foi demonstrado no nosso enormíssimo e loguissimo universo de bttistas (alguns nem sei os nomes) que não estou a mentir. Sabendo (com os meus 10 anos) dessa monstruosa capacidade pernomotora, os amaricanos enviaram drones que me observaram durante 5 dias úteis para confirmar os rumores que lhes chegaram. Entretanto ligaram-me para casa dos meus pais a perguntar se podiam combinar uma reunião comigo na NASA logo no dia seguinte. Claro que, como não conseguia justificar as faltas aos professores, disse imediatamente que não (isto tudo em inglês, muito bem falado, como quem me conhece, deve calcular). Responderam que conseguiam subornar os professores do 5º ano, com possibilidade de se estender até ao 12º ano caso o presidente Ronald Reagan fosse reeleito, como se veio a confirmar.
Como os portugueses são sempre os lixados, o RR (era assim que o tratava), quando eu estava no 10º ano ligou-me a pedir desculpa por não ter conseguido convencer o Bush, que entretanto decretou, não negociar com terroristas.
Adiante...lá fui ter com os amaricanos que me fizeram uma mão cheia de centenas de exames e testes (aliás os testes elaborados ao CR no programa que deu na tv foi o desenvolvimento do software que criaram naquela altura), tendo chegado à conclusão que a Força derivava dos gluteos. Pediram-me autorização para fazer um excerto para desenvolvimento, mas aí não deixei avançar. - "Hei, nobody messes in my glutes!!", disse eu. - O máximo que podem fazer é tirar um pelinho ou outro! ... olharam uns para os outros (eram mais de 20) e acenaram com a cabeça a dizer que podia ser.
Regressei para casa e pouco depois recebi um telefonema para me informarem que, derivado à proximidade do canal flatulento, o pêlo ficava contaminado pelo escatol e pelo metanotiol e como tal, a extracção de energia do pêlo ficaria mais reduzida. Como tal, pediram-me para fazer uma doação de dois pêlos por mês. E assim, todos os meses enviava pelos CTT um envelope endereçado à CHEMICAL ENGINEERING AND BIOTECHNOLOGY RESEARCH CENTER. Como era um assunto delicado e tendo um orçamento quase esgotado pelo testes e exames elaborados, os amaricanos propuseram-se a pagar metade do valor dos selos, mas encostei-os à parede e consegui convencê-los a pagar a sua totalidade, sob pena de fazer uma depilação definitiva a laser e queimar todos os pêlos retirados.
Mais recentemente, com o surgimento dos toalhetes e também com mais consciência da minha parte para o bem da humanidade, comecei a fazer uma alimentação mais equilibrada para reduzir a flatulência e a limpar-me com os dodots. Parecendo que não, com esses pequenos pormenores consegui reduzir a quantidade de pêlos (envio apenas 1 ) e consequentemente o custo de envio também reduziu, tendo com isso um beneficio económico que permite elaborar uma missão a Marte para o carregamento energético do robot que por lá navega.
Poderão estar a pensar o porquê de não ter feito uma parceria com alguns construtores automóveis para a pesquisa de uma energia mais limpa e duradoura (dizem que os meus descendentes têm 99% de probabilidades de terem o mesmo dom), mas na altura fiz um contrato de exclusividade e não posso quebra-lo, sob pena de pagar uma indemnização de 20.000 escudos.
Este assunto pode ter desenvolvimento, mas para já também não posso revelar todos os meus segredos... pelos menos num texto apenas... isto no mínimo, tenho material para 3 Temporadas.

JAS

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A volta dos animais

Costumam de me tratar por Zé ou Alexandre. Também há quem me trate por José, ou Zé-i, ou Alex, por Xaninho, ou brother, ou mano, até por palhaço e mais recentemente por besta (trepadeira é uma desculpa). De tanto batismo já nem sei de que religião sou. E isto a propósito da volta de hoje (26/05/2013), apelidada da volta dos animais.
Como o nosso extenso grupo está numa fase contraída, resumindo-se semanalmente a três elementos e desta como também o Africano foi uma vez mais à terra ver os família, sobrou a besta e o cão de caça (digam lá se não é tal e qual)- assim que vê uma lebre lá vai ele…e depois volta para trás para mais uma voltinha, ladra sempre quando acha que a caça está para o lado diferente ao que estamos a seguir e, este, não gosta de arêa.
E por muito que a besta se esforce, o cão de caça vai sempre lá à frente a puxar e a olhar para trás para picar mais um pouco, mas sempre à espera da sua companhia. 
E numa descida, ao ver duas lebres distraídas, entusiasmou-se demais e decidiu brincar com elas rebolando no chão para chamar a atenção. As lebres não ligaram muito e ele lá se levantou e seguiu caminho com uma esfoladelazita na pata, nada de especial.

Agora, queda, queda foi aquela que aqui a besta mandou a semana passada. Essa é que foi uma queda que nem sei como é que ainda estou aqui para a contar...bem o que vale é que a minha experiência de milhares e milhares de segundos em cima de bicicleta evitou aquilo, que para um cidadão comum, não estaria aqui para contar. A descer o single espetáculo do Cabeço para Alverca, a roda da frente bate de lado numa pedra e ai jasus…. Pus uma abaixo atrás, levantei a roda da frente ao mesmo tempo que mudava a mudança da cremalheira… com um cheirinho de travão da roda dianteira, para quando esta batesse no chão não ir com rotação a mais, um jogo de cintura para a direita, sempre a pedalar e num espaço de 552 metros, estava mesmo quase a safar, quando olho para a torre da igreja de Alverca e verifico que o meu relógio está 2 minutos e 23 segundos atrasado. Tiro a mão direita do guiador para puxar o picolete que acerta as horas e de repente um mosquito poisa na minha perna esquerda pronto a ferrar-me.  Tive que tirar também a mão esquerda para dar uma chapada na perna esquerda, quando os óculos começam a embaciar e aí é que vi que não tinha hipótese, pois por toda a experiência que um bttista tenha e por muitos que sejam os conhecimentos de sobrevivência e de gravitação, andar com os óculos embaciados é a mesma coisa que pedalar com os tomates molhados…
Felizmente todas as feridas provocadas com essa queda do camandro sararam e não tenho nenhumas fotos do estado calamitoso em que ficaram as minhas pernas e braços de tanto sangue que perdi (perto de 2 garrafões), mas fica o aviso e o alerta, que se tiverem numa aflição parecida, não liguem aos relógios dos outros, pois por vezes o nosso é que está certo.

JAS

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Um conto na Via Algarviana


Mesmo passados 16 dias do término da aventura, ainda nem sei muito bem o tipo de relato a descrever: duas ou três linhas com muitas fotos, com meia dúzia de larachas por lá metidas, ou um texto formal a descrever o dia-a-dia das jornadas, com o itinerário todo espamparado, pronto para ser publicado numa revista on-line? Gostava que o publicassem, mas aí não posso dizer caralhadas algumas imbecilidades, e no fundo deixaria de ser eu a contar a minha história.
E como ainda estou com um melão do caralho enorme ( FODA-SE!!!!! BOLAS, perder no ultimo minuto num golo marcado por um primo do africano que não joga um peido muito bem, é FUDIDO MUITO ABORRECIDO), já não me apetece escrever mais nada.
Vou postar umas fotos e que se FODA VOU VER A NOVELA!!
Bom, agora que já estou a acabar o 2º cálice de medronho e já estou mais calmo, vou tentar escrever algo sobre a Via Algarviana. Mas, primeiro é melhor redimir os palavrões para puder ser editável, porque ainda tenho alguma esperança de ver um relato meu numa revista. Tal como a esperança de ver o Paços de Ferreira a tirar pontos ao FCP. Olha o que é que eu devia me lembrar!! Foda-se, tou mesmo todo queimadinho, c´um caralho!!! Vou beber mas é um submarino para ver se isto passa.

Vira-se o Africano para mim:
- ó  Zé!! Tive a falar com a dama sobre a eventualidade da minha ausencialidade durante os 4 dia nos feriado para dar uns volta desbicicreta. Quer vir? - ( eu como lido com ele há muito tempo, percebi logo o que ele quis dizer.)
- Então e vamos aonde?
- Sei lá! Eu quero é sair de casa e andar desbicicreta! Podi ser Aveiro, ou …
- Olha, vou perguntar ao Nés o que recomenda. - disse eu.
Depois do guru das voltas ter recomendado a via algarviana, ou eventualmente a ecovia do litoral, não apenas pela sua misticidade, mas também pelas condições dos trajetos, que a Norte poderão estar intransitáveis, testemunhado por ele numa tentativa de volta durante a Páscoa, falei com o africano que rapidamente concordou:
- vias esgarviana? É isso memo! Vamo primeiramente preparar mentalmente e fisicamente a nós, seguidamente de compreender o percurso para oportunamente tratar de seguida dos logista, falar com todo os companheiro e vamo!
Então, a primeira coisa a tratar seria a logística. Antes de pensarmos muito e sequer de fazer perguntas já tínhamos todas as respostas!!! É verdade, não estou a exagerar.
O “trata-me lá disso” já tinha tratado disso:
- Vão de carro até Alcoutim (ponto de partida), dormem na pousada da juventude, de manhã partem para Cachopo, onde vão pernoitar numa escola primária, na etapa seguinte ficam na casa do povo de São Bartolomeu de Messines, no 3º dia vão almoçar em Silves, onde eu vou ter com vocês , vamos dormir em Monchique, para no 4º dia fazer a loucura de chegar a Sagres, voltar para Lagos por estrada para apanhar o comboio que nos leva até Castro Marim para pegarmos nas bikes e irmos até ao carro. Não vai ser fácil, mas para fazer o caminho em 4 dias, só pode ser assim!! – Atenção que reduzi bastante o texto, porque na realidade apresentou os kms de cada etapa, o nome das pessoas com quem iriamos contatar, o horário dos comboios…quem o conhece “(…)sabe de quem estou a falar”.
E bem dito bem feito. Tirando a dormida na pousada de juventude em Alcoutim, foi exatamente isso que fizemos. Optámos por arrancar no 25 de Abril às 5h30m de Lisboa, para às 11h00 começarmos a andar de bicicleta. 
Km 0 - No cais de Alcoutim

Como o primeiro dia eram 70kms, pensámos que às 18h, o mais tardar, estaríamos em Cachopo. 
A paisagem predominante
 Não falhou muito, apenas 1h32m, pois só conseguimos chegar perto das 19h30m. Entretanto durante a tarde nos diversos contatos com a D. Otília (animadora e promotora turística local) foi feita uma pequena alteração: como haviam mais 7 bttistas a fazer o caminho, propôs-nos a dormida mesmo na vila de Cachopo, dista em 4kms de Casas baixas, local da escola primária referida. Como a estadia tinha tv a cores e como queria ver o SLB com os turcos (1ª mão) concordámos.
Chegados a Casas Baixas lá estava a dona Otília à nossa espera, que também aguardava os outros 5+2. Se fosse combinado não tinha corrido tão bem, pois chegámos todos praticamente à mesma hora. Já estava a anoitecer e a D. Otília propôs levar-nos na carrinha até à aldeia, pelo que aceitámos, apesar de desvirtuarmos a volta sem essa ligação, mas isso poderia ser ultrapassado pois poderíamos voltar para trás no dia seguinte, se pensássemos que esse facto iria pesar a nossa consciência.
Felizmente fomos para uma casa que tinha tv e assim consegui ir vendo o jogo enquanto o africano se aprontava. 

A bela casa onde pernoitámos no 1º dia

Aliás foi aí que desmistifiquei o motivo do africano ser branco… pelo tempo que demora a tomar banho percebi que na realidade ele nasceu mesmo preto, mas com tanta esfrega no banho, foi perdendo cor.
Nestas povoações pensamos que vamos encontrar na ementa aquelas maravilhas gastronómicas que dão bom nome à nossa cozinha, mas isso só acontece quando reservamos com antecedência… e mesmo assim não é fácil. Chegadas a horas tardias, não nos podemos esquecer que onde estamos não há muita/mais oferta, temos que nos sujeitar ao que se consegue fazer. E nesse dia calhou-nos umas costeletas de porcas grelhadas. Foi encher o bandulho até mais não, provar o medronho do chefe e ir para a caminha.
Como nota durante esse percurso de 70kms, feitos num feriado, passámos por cerca de 2 cafés, que estavam fechados. Para comermos qualquer coisa à hora de almoço, tivemos que nos desviar cerca de 2kms. Felizmente nas aldeias por onde passámos havia sempre um chafariz de água para nos abastecer, situação regular em toda a Via Algarviana, exceto entre Silves e Monchique.
São bastantes os Oceanos que atravessamos
Na manhã seguinte e após o pequeno-almoço tomado no mesmo café/restaurante e quando já estávamos a abordar ao caminho, mas ainda indecisos se voltávamos ou não para trás, aparece a D. Otília na sua pick-up a perguntar se queríamos que nos levasse ao local de chegada de ontem. Claro, vamos nessa!! Ainda para mais, essa viagem foi feita em cima da caixa aberta com uma mão a segurar a bike e outra a segurarmo-nos Na carrinha. Sentimo-nos uns surfistas no asfalto, elevando a adrenalina nalgumas curvas e travagens. Espetáculo!!!
Durante a surfada asfáltica
Acho que este segundo dia foi o mais longo dos quatro. E foi aquele que senti sendo o mais produtivo, onde os kms foram todos na mesma direção, ao contrário do primeiro dia onde se sente claramente que andamos a contornar locais. Neste dia passámos por diferentes morfologias de terreno onde inclusivamente atravessamos alguns singles, já que a Via é maioritariamente definida por estradão. 

Umas das muitas singles ?!- Estranho, então mas não são únicas?
Depois de muito subir e descer, transpor e rolar lá chegámos ao destino. Mas antes, mesmo um bocadinho antes, o Africano falou (é verdade só agora falou):
- Quando chegarmos ao bartu-meu vamo procurar lugar para lavar osbicicreta para besuntála com óleo solar que o africano não gosta de frito, mas gosta de sol.


Africano quasi no lusco-fusco
Bem dito, bem feito!, assim que saímos dos trilhos para entrarmos na vila, desembucámos precisamente numa estação de lavagem manual, ou “ilifante branco”, como lhe chama o africano.
Lavadas as bichezas, dirigimo-nos para a casa do povo e é então que após a passagem numa montra, o africano volta a falar:
- hoje quero fuder galinha!!
- boa ideia. - respondi eu.
E fomos comer frango da guia em São Bartolomeu de Messines, na Churrasqueira Fatinha. Lá estava também o grupo de 5 já a meio da refeição e a ver o Estoril-Braga.
Mais uma vez, foi encher a mula até mais não, beber um medronho, um não!! dois ou três, que este estava bom, e depois de uma pequena caminhada, caminha que amanhã temos uma serra para subir.
E lá fomos para a jorna mais complicada delas todas. O início da manhã foi rolante, em torno da barragem do Funcho, para no final começarmos a subir e depois descer em direção a Silves, onde nos encontrávamos com o ilustre Nés. 
Panoramica da serra
E mais uma vez, e por incrível que pareça, chegámos todos ao mesmo tempo! É Verdade!! Estávamos a perguntar onde eram os bombeiros e lá aparece um gajo todo speedado a dizer uma merda qualquer tipo: EESSSPECTÁÁÁCULO!!!
Desta vez até tivemos direito a almoço, que nos anteriores apenas degustámos bifanas e sandes. Carapau assado para o africano e sardinhas para mim e pró Nés. Como o pêxe estava seco, tivemos que o ir regando com vinho branco à pressão. Consumido os medronhos (sim, tinham acabado de chegar dois tipos: com e sem eles….?!... – medronhos entenda-se) lá nos pusemos a caminho….e que caminho. Assim de repente não me lembro de retas, apenas grandes subidas e pequenas descidas. 

Silves - Monchique já na companhia do Nés

ainda houve tempo para gdes planos
Literalmente tipo montanha russa, mas sem aquelas merdas dos “g– force”. 
Apesar de não gostar de dar concelhos, prefiro dar distritos, esta é daquelas etapas que temos que ser “desportistas” e não gajos que gostam de fazer desporto e beber uns copos. Porque durante mais de 20kms feitos em constante sobe e desce e mais sobe do que desce ( no fundo passamos da cota 12 para a 766 nessa tarde) não passámos por nenhum abastecimento de água, originando algum desconforto físico e essencialmente psicológico, ao ponto de quando apanhámos alcatrão, termos mandado parar um carro com um casal de turistas para lhes pedir água ( que nos facultaram gratuitamente – Thanks, Bif Jonhny and Bif Walker!!).

Feito o serviço cívico (finalmente, escrevi qualquer coisa de útil) admito que a chegada lá acima foi mesmo emotiva ao ponto de quase me ter cagado todo, pois as cabras deixaram caganitas em todo o cruzamento (pronto, tinha que sair merda depois de ter feito uma coisa boa – epá isto faz-me lembrar a minha infância – um gajo sente-se elogiado e a seguir, numa caganeira cerebral, faz merda da grossa). 
Mas, é sem dúvida um local especial. Não me perguntem porquê; - o que é que atravessar aqueles calhaus com a bicicleta à mão, sujeito a dar um valente tralho, com vento frio comó catano (para não escrever mais caralho) tem de especial? Não sei, mas que tem, isso tem.
Ainda tentei de bicicleta, mas coiso...
- Esta merda tem uma vista!... parece o kilimanjaro - diz o africano.
- Já lá tiveste? – pergunto eu.
- Não!! tens problema?
O santo pregador e o outro que não se identificou
Mas é um local marcante. Ainda houve quem dissesse para encurtar caminho e que não valia a pena e não sei quê…claro que não vou dizer que foi o Nés.
Bom, depois foi um descida quase a roçar o downhill, só faltando as rampas (até acho que foi lá que vi uma ou duas, mas não tenho a certeza), num single coberto de folhas. 
A árvore já marcava as 8 da noite

Chegados lá abaixo estava o Nés com uma nova postura em cima da bike. 
Não, não foi trabalho de Photoshop
Ele com uma nova postura e eu com um caroço na roda traseira. O pneu começava a ceder (Kenda Karma, nunca mais!!), a bolha estava a ficar cada vez maior.
Chegámos perto das 20h, estava frio. Fomos para a pensão destinada e como ao almoço foi pêxe, à noite fomos para a entremeada de coentrada e mais uma vez, grelhada mista. O melhor medronho da volta estava aqui, no Restaurante Jardim das Oliveiras.
No último dia, depois de subirmos ao ponto mais alto do Allgarve, e já com o suporte de selim do Nés  bem fixo por sisal e elásticos ( e também o espigão que descia involuntariamente ), foi maioritariamente um dia de descidas, algumas delas esquisitas.

...a admirar a paisagem...
PUUUUUMMMM


Foi também caracterizado pelo muito vento que dificultava um pouco o andamento, mas foi essencialmente o dia do estoiro.  O primeiro deu-se à entrada Bensafrim, com o pneu a rebentar e a me deixar apeado. Felizmente estava ladeado pelo desenrascado Nés que em 20 minutos resolveu a questão, aparecendo com um pneu usado do melhor ciclista de Bensafrim, seu nome António.
Mas que granda vaca!!, durante tanto caminho inóspito, ter acontecido aqui! No meio do azar ainda houve muita sorte.





Resolvida a questão e após um belo caldo verde e uma maravilhosa bifana, no café Barbaro em Bensafrim, voltámos ao caminho em direção a Sagres.
Chegados a Vila do Bispo, tivemos que decidir. Ou voltamos já para Lagos, com toda a tranquilidade e ainda dá para comer uns caracóis antes de apanhar o comboio que partia às 19h20m, ou vamos até Sagres por estrada só mesmo para fechar a volta, uma vez que já não havia tempo para fazer a Via toda. Pelo simbolismo que tem uma aventura destas, achámos que deveríamos fechar a volta e chegar ao destino. 
Sagres à vista!!
E assim fomos até Sagres, para depois voltarmos pela mesma estrada até Vila do bispo, para de seguida embicarmos a Lagos.
Lá chegámos com uma folga de 30minutos sensivelmente, fomos buscar uma pizza hut, e às 22h08m saímos na estação de Castro Marim, que fica a cerca de 5kms da vila, para depois seguirmos pela IC27 até Alcoutim, a cerca de 39kms, onde ocorreu o segundo estoiro. Apesar de ainda termos conseguido encontrar um café aberto em Castro Marim, que nos reforçou com  tostas, o Nés acabou por estoirar e fazer grande parte do percurso numa luta contra ele mesmo ( e que acabou por conseguir ganhar), que curiosamente também tinha muitas descidas esquisitas.
Perto das 1h30m a sair da IC27

Felizmente, chegámos cedo a casa, perto das 6h00 e o balanço que podemos apurar é que eu perdi 1 kg e o Africano diz que não perdeu nem ganhou. O Nés apenas ganhou experiência.

Muito obrigado Rui e Nés!!!

JAS